Second Life = Vaporware?
October 9th, 2007 by RenatoNunca me interessei em acessar a comunidade on-line/jogo chamada Second Life, ao contrário da imprensa em geral, que morreu de amores pelo serviço.
Eu não consigo entender o motivo. Afinal, o que é o Second Life? Uma rede social com interface 3D? Um cruzamento de Orkut com jogo FPS, mas sem poder matar ninguém?
Não consigo ver a graça disto. Redes sociais não são mais novidade, o próprio Orkut e seus clones já não são mais o hype da vez e estão perdendo o apelo. Entrar em salas de chat para falar com estanhos era moda dez anos atrás, hoje em dia não conheço ninguém que as use com frequência.
Mas por algum motivo a mídia se apaixonou pelo Second Life e não só acha que ele é a coisa mais maravilhosa que surgiu na Internet depois dos emoticons animados como é uma oportunidade de negócios imperdível.
Se acreditarmos no que os jornais e revistas noticiam, dá para acreditar que todo mundo pode ficar milionário facilmente negociando terrenos e outros badulaques virtuais dentro do Second Life. Agora todo mundo vai ficar rico. Como se isto fosse possível.
E eu já ouvi esta história antes.
Na primeira Bolha da internet, um dos maiores hypes era o registro de domínios. Você saía registrando domínios com o nome de empresas que ainda não tinham presença na internet e esperava que elas comprassem o domínio de você por uma fortuna, ou registrava nomes genéricos (comida.com.br, filme.com.br, etc) e esperava que alguém se interesasse.
Algumas pessoas ganharam dinheiro com isso, mas a maioria micou com a manutenção do domínio ou teve que amargar um processo por “marca notória” movido pela empresa “real”.
Não existe esta coisa de ficar rico rápido e sem trabalho. Pelo menos não para muita gente.
Como todo hype, imaginei que o do Second Life também iria sumir rapidamente. Até que recebi um e-mail com este convite (
Para cada hype que surge no mercado de TI, logo surge alguém para dar consultoria sobre o assunto. Como ainda faltam 992 anos para o próximo bug do milênio, os consultores têm que se virar para encontrar temas que eletrizem o empresariado.
O preço da palestra? Apenas R$ 665,00 por cabeça.
Resolvi me debruçar sobre o assunto e encontrei uma análise devastadora no Blog de Guerrilha.
O resumo da análise de Mr Wagner é o seguinte: a “economia” do Second Life não é tão pujante como alardeiam, nem a quantidade de usuários ativos cresce tão rápido quanto dizem.
Com base nisso, podemos concluir que o Second Life tende a se tornar um grande nada para nós, as pessoas normais, afinal, quem quer gastar tempo e dinheiro em um jogo sem objetivos e falar com pessoas que não estão lá?
Ou talvez a idéia não seja essa. Talvez os usuários desejados não sejam pessoas.
Se não é um ambiente para pessoas, o que é então?
Isso mesmo: empresas. A grande diferença do Second Life para o Orkut não é a interface 3D, mas sim o fato que as empresas podem gastar seu superdimensionado orçamento de marketing nele.
Muitas empresas estão abrindo “filiais” no Second Life. Qual o propósito? Qual o retorno disso? Muito difícil dizer.
Mas ter uma “filial” no Second Life, negociar produtos com dinheiro de banco imobiliário deve fazer os olhinhos de alguns gerentes de marketing rolar de prazer. E talvez ainda renda algum prêmio de empresa mais ligada, mais plugada ou algum destes que não servem para nada além de alisar egos e acumular poeira na estante.
Em resumo, o Second Life é apenas uma arapuca de empresas? Não sei esta era a intenção, mas é isto o que está se tornando. E alguns consultores já farejaram o orçamento fresco passeando na floresta.
A não ser que haja alguma mudança radical no cenário, o hype vai acabar logo e as empresas irão riscar a verba da “filial no Second Life” do orçamento 2008 ou no máximo do de 2009. Portanto, se você quiser prestar a sua consultoria para alguma empresa atrasada, corra!
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