Veja, o Chrome e a “memória do computador”

September 13th, 2008 by Renato

Em sua edição 2077, de 10/09/08 a revista Veja dedicou uma matéria de duas páginas e uma chamada de capa ao lançamento do navegador da Google, o Chrome.
Faz sentido que uma revista não especializada dê notícia sobre o novo navegador. Afinal, ele foi o assunto de milhões de pessoas na semana que passou e a internet hoje faz parte do cotidiano de quase todo mundo.

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Isso sem falar que a Google é uma das empresas mais ricas do ramo de tecnologia.

O que não faz sentido é que não façam isso direito.

Talvez esse fosse um post melhor para o Imprensa Marrom, mas vamos lá.
O fato é que quando se trata de publicar notícias sobre tecnologia, a maioria dos veículos costuma cometer erros diversos.

O primeiro, mais comum e o mais irritante é tratar a memória e os meios de armazenamento como se fossem uma coisa só: “O vírus apagou a memória do computador” é um exemplo clássico.

Na reportagem temos:

Poucos anos atrás, esse tipo de ferramenta funcionava somente quando instalado na memória dos computadores.

Quando os repórteres vão aprender que quando se fala de memória, estamos falando da memória primária, que é volátil? Nada é “instalado” nela, e ela pode ser apagada à vontade, pois é para isso que ela serve.

Poderia até dar uma colher de chá e imaginar que estão falando de memória secundária, mas quem usa este termo quando pode falar simplemente “disco”?

Outro exemplo, ao tentar explicar que o Chrome cria processos distintos para cada aba de navegação ela diz: “O sistema é chamado de multiprocessador”. Pode ter sido um erro de grafia, mas o  correto seria multiprocessamento.

A explicação do motivo  pelo qual o Chrome seria mais rápido é quase poética:

Consegue funcionar com eficiência ao usar linhas de código computacional mais econômicas – à semelhança do texto de um bom escritor, que em poucas palavras descreve uma cena, um personagem ou uma paisagem.

Pena que não explique muita coisa. O que são “linhas de código computacional mais econômicas”? Não seria mais simples dizer que ele é mais rápido por que é mais moderno? Porque foi reescrito do zero?

E também chama a atenção a chamada de capa da revista. um tanto alarmante: “O Google quer saber tudo sobre você”. Qual era a idéia por trás disso? Não é explicado na reportagem.

A reportagem também cita o Firefox, numa caixa com o título “Este sim é inovador”

O Firefox 3, da Fundação Mozilla, é o navegador com maior número de inovações. A versão lançada em junho teve 8,4 milhões de downloads em um dia. Além de rápido, o Firefox 3 tem complementos fantásticos como o Cooliris (ex-PicLens), que apresenta imagens da internet em um painel virtual (foto acima). O Ubiquity permite o acesso rápido a mapas ou a vídeos associados a qualquer palavra digitada num texto. Ele corta etapas na navegação.

Bom, a imagem que ilustra a caixa não é do Cooliris. Eu uso o Cooliris e não consegui identificar o que era. E a citação do Ubiquity, é simplesmente ininteligível. O que ele fará (ainda está em desenvolvimento) é permitir combinar serviços de sites diferentes (mashups) de acordo com a necessidade do usuário.

Será que não está na hora de submeter reportagens como essa a uma revisão técnica antes de publicá-las?

Mas o que realmente me incomoda ao ler uma matéria como essa é imaginar que se numa matéria simples de TI temos tantos problemas, quantos será que não existem nas matérias de medicina e física de partículas?

Link para a matéria.

interrogação

 

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